miércoles, 6 de marzo de 2013

Lisboa Eye & Ear Control


Ouve-se jazz na Mouraria. A subir a Rua Cavaleiros desde um canto do Martim Moniz, nada mais a rua convertese em largo, olhas à esquerda e chama a atenção uma lampejante porta azul sobre uma parede branca. Essa porta, sempre fechada, deixa escapar o som do jazz quando algum musico entra à pressa -instrumento em mão- abrindo-a com um forte empurrão, para juntarse à jam session. É o bar Anos 60, como está escrito na parede branca exterior. Um lugar onde as noites são sempre diferentes, mas com a cultura como denominador.

Alone together (standard jazz) interpretado com Javier Galiana ao piano.- JUAN P. TORRES

Alí, no Largo do Terreirinho, 21, todas as segundas o quarteto 'Lisboa Eye & Ear Control' abre as jam sessions às 22:30, e vão até depois da uma da madrugada. A banda está composta pelo André Ferreira no contrabaixo, Luis Barros à bateria, David Eyguesier à guitarra e Miguel Sucasas ao saxofone, mas depois do inicio juntam-se outros músicos que aceitam o convite para uma noitada de jazz. Aquí vão umas notas: um bar de teto baixo e chão de pedra, mesas pesadas, um piano - a bateria espera na alcova-, uma equipa de som. Um balcão, Xulio atrás dele.

Miguel Sucasas, agarra com força o saxo e depois de ter fehcado os olhos lança a melodia conforme o combinado. A seguir, discorrem os solos, jogam com as possibilidades, sonham sonoridades, a meio caminho entre a procura e a confissão. Quebram standards e inventam as suas conversas abertas e livres. A guitarra passa a para o contrabaixo e a enérgica bateria marca os tempos e mostra ainda outros caminhos. Os standards do Brodway dos anos 40 e 50 ouvem-se com novos ares, ares de uma Lisboa inspirada.

A weaver of dreams é um standard escrito pelo Victor Young.- JUAN P. TORRES

No amplo repertorio chega o momento em que, sejam mais ou menos connhecidos, os temas tipo My favourite things do Coltrane a Blues for Alice do Charlie Parker são repensados atrás de uma cortina de fumo. Assim o quarteto, com a colaboração dos outros que chegam, Federico Pascucci, André Murrças, espremem os compassos sem pressas e sem regras. À possuir um estilo "semelhante", segundo as palavras do saxo Miguel, ao de Ornette Coleman, referença de um jazz livre, free jazz. Mas, para além da liberdade, do sostenido e prolongado, dolce caos, vão a procura de um som próprio, com temas já compostos a espera de ser interpretados.

Amanha atúam no Pois café às 19:30h


'Lisboa Eye & Ear control' nasceu apenas um mes, com duas terceiras partes da 'Escaleira ó norte', que também punha o jazz ao vivo nos Anos 60. Idealizada pelo galego Miguel Sucasas depois de ter estado em Lisboa um ano e meio, esta banda "internacional" conta com mais dois portugueses, André ao contrabaixo e Luis à bateria, e David, francês, à guitarra. Curioso é o fato que mesmo que o nome esteja inspirado num disco esperimental, desordenado e barulhento do Albert Ayler, New York Eye & Ear control (1964), porque não é um estilo muito reconhecível no seu jazz. Formados em conservatórios superiores do jazz estão a sair da escola e querem liberdade, tem vontade de tocar e buscam à inspiração no Anos 60.

Assim abriram à noite no 22 de fevereiro.- JUAN P. TORRES


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